Bem vindos ao mundo existencialista

Espero compartilhar com vocês a riqueza do mundo existencialista!

terça-feira, 27 de maio de 2014

CURSO FENO

Seja autor de sua própria vida!!!!

CURSO FENO - Módulo II
"A prática clínica sob o enfoque fenomenológico-existencial"

OBJETIVO DO CURSO:
Oferecer subsídios teóricos e filosóficos a partir dos pressupostos daseinsanalíticos para a compreensão dos temas existenciais na prática clínica.

OBJETIVO ESPECÍFICO:
Primeira parte da aula: explanação teórica sobre os temas existenciais e a compreensão da prática clínica.
Segunda parte da aula: reflexão, por parte dos alunos, a respeito dos temas existenciais abordados. Essa reflexão tem como objetivo propiciar um espaço para que o aluno compreenda de forma mais própria os temas existenciais vivenciados em suas vidas.


TEMÁTICAS:
- ser-no-mundo e ser-para-morte - angústia e cuidado
- autenticidade / inautenticidade - espacialidade e temporalidade
- compreensão e disposição - preocupação e decadência
- linguagem e discurso - cotidianidade e liberdade


PÚBLICO-ALVO:
Graduandos, graduados em psicologia,estudantes/profissionais de áreas afins e qualquer pessoa interessada em refletir sobre a existência

CERTIFICADOS:
Os certificados de conclusão serão entregues aos alunos que freqüentarem, no mínimo,
75% das aulas dadas.

DATA e HORÁRIO: 
Sábado das 10h00 às 12h00
Início: AGOSTO DE 2018 Término: DEZEMBRO DE 2018

INVESTIMENTO:
6 parcelas de R$ 200,00 ( 6 cheques pré-datados)

LOCAL:
Rua TEIXEIRA DA SILVA, 329 - PARAÍSO (Próximo ao metrô BRIGADEIRO)
INFORMAÇÕES:
(011) 995685158 ou pelo e-mail: vanessamaichin@gmail.com

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Resgatando a mulher selvagem

"Resgatando a mulher              selvagem" 


 Com base na obra “Mulheres correm com os lobos”  e através de contos e histórias de vários povos, a psicóloga Vanessa Maichin conduz um grupo destinado a mulheres que almejam resgatar sua essência feminina e selvagem. Partindo da idéia de que as mulheres têm uma natureza selvagem, criativa e profunda, esquecida por séculos de condicionamento social e repressão, o grupo visa trazer à tona a essência da feminilidade saudável, vigorosa e bela, que habita no íntimo de todas nós. E através desse processo, propiciar o autoconhecimento, estimular a auto-estima, e alcançar o que o existencialismo chama de autenticidade. “A compreensão dessa natureza da Mulher Selvagem não é uma religião, mas uma prática. Trata-se de uma psicologia em seu sentido mais verdadeiro, um conhecimento da alma. Sem ela, as mulheres não têm ouvidos para ouvir o discurso da sua alma ou para registrar a melodia de seus próprios ritmos interiores. Sem ela, a visão íntima das mulheres é impedida pela sombra de uma mão, e grande parte de seus dias é passada num tédio paralisante ou então em pensamentos ilusórios. Sem, ela as mulheres perdem a segurança do apoio da sua alma. Sem ela, elas se esquecem do motivo pelo qual estão aqui; agarram-se às coisas quando seria melhor afastarem-se delas. Sem ela, elas exigem demais, de menos ou nada. Sem ela, elas se calam quando de fato estão ardendo. A Mulher Selvagem é um instrumento regulador, seu coração, da mesma forma que o coração humano regula o corpo físico.” (Estés, C. P. 1994. p.23) 

Horários
aguarde nova data

Valor: 
290,00 à vista, ou
2 cheques de R$ 150,00 

Inscrição: R$ 30,00 A inscrição deverá ser realizada através de depósito bancário. Banco do Brasil. Agência: 1191-6 Conta Corrente: 14628-5 em nome de Vanessa Maichin. Para confirmar a inscrição, é necessário enviar um e-mail para vanessamaichin@gmail.com contendo nome, telefone, e-mail e comprovante do depósito. 

Local do encontro: Rua Teixeira da Silva, 329 - cj.31 - próximo à Av. Paulista - metrô Brigadeiro.

Maiores informações: Tel. 011/995685158 
E-mail vanessamaichin@gmail.com           

Depoimento das Mulhere Lobas de grupos anteriores:
“Querido grupo, vou me ausentar por um tempo, talvez meses, anos. Então vou aproveitar, neste último encontro, para falar de mim, porque agora tenho voz. Grupo, quando nos encontramos, haaaah pasmem... eu já tinha dor, eu já tinha angústia, eu já tinha falta... Ahh grupo, vou embora feliz porque saio daqui com a mesma dor que iniciei os encontros, mas agora sei o que fazer com ela. Vou embora com saudade; saudade não é falta, saudade é nossa alma dizendo pra onde quer voltar. Vou continuar a minha vida e não vou mais me ausentar (de mim)...” Loba D.L.G.L 

“Não é fácil percorrer os caminhos que nos levam para dentro de nós mesmos, mas também é certo que esta dificuldade é a força que nos transforma. Resgatar a loba me deu a oportunidade única de revisitar conceitos e pré-conceitos, de exercitar esta capacidade tão feminina que é a minha intuição, que se bem não estava tão adormecida, apenas a tinha um pouco desacreditada dentro de mim. Obrigada meninas por este momento transformador” Loba H.C. 

“Nestes tempos de reflexão e contato com o meu eu, pude perceber o quanto a troca, o falar, o pensar nos remete ao conforto e aos nossos sentimentos. Ser loba, ser autêntica, ser brava e até desejar o mal de alguém, querer justiça, isso é o natural e o melhor do humano. Autenticidade é algo que não tem preço e algo difícil no meio da sociedade, mas é a melhor recompensa para quem vive e a experimenta. Quando iniciei no grupo já sabia e imaginava que seria importante na minha vida porque tinha a necessidade de me conhecer cada vez mais e de ser eu mesma e não me importar por ser julgada por isso. Aprendi que ficar brava, nervosa, dizer não, ter raiva não é ser má, chorar não é ser fraca, mas é respeitar a si própria. Foi maravilhoso estes momentos e que já deixam saudades pela história que construímos e sei que nunca acabará. Que eu possa ter mais momentos como esses que tive aqui neste grupo. Com muita intensidade, aprendizado e acima de tudo A MULHER LOBA”. Loba A.B. 

“Mergulho em minha alma... encontro com minhas personas... separação do que é meu e do que é do outro... lidar com a angústia (com sentimentos) que não é minha... identificação, reencontro e aceitação do feminino dentro de mim... fortalecimento do meu eu... acolhimento e compreensão por parte das colegas e facilitadoras... aceitação de minha fragilidade... exercício de dizer não e colocar limites... fluidez e leveza...” Loba A.C.A. 

“Uma possibilidade de encontro... resgate de memórias... possibilidade de ver diferente aquilo que parecia mesmice... uma sala com muitos espelhos (as outras lobas)... caos e ordem... gratidão eu tenho por todas as lobas lindas e maravilhosas que pude encontrar nessa experiência...” Loba S.M.G.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Caminho: uma compreensão fenomenológica-existencial


Tenho uma tarefa.
Posterguei um pouco para realizá-la, não porque estava com preguiça, nem tão pouco porque não queria fazê-la, pelo contrário, só não sabia direito como.
Mas peguei ‘uma’certa estrada e sinto que nela devo seguir; escolho seguir.
Ei-la, a tarefa e a estrada...
Assisti ao filme The way – O caminho –, meu próximo passo é descrever o que compreendi, o que entendi, enfim, analisar o filme. Tarefa nada fácil para um iminente psicólogo, que pouco gosta de analisar coisas... Em todo caso, aí vamos.
Certo homem, assim como muitos outros - talvez assim como eu - médico do olhos[1], erigido pelo positivismo, antiga escola das exatidões, perde seu único filho, que prestes a seguir uma vida muito similar a de seu pai, abandona seu doutorado perto do fim e resolve tomar seu próprio rumo; o rumo de sua própria vida, e viajar pelo mundo.
O pai e o filho aparentam possuir um relacionamento truncado, pelo menos a partir desse momento de desistência da carreira que já se estendia... O pai chega a se referir às ações do filho, por exemplo, a de não possuir um celular, como algo errado, estranho. Diz ele que seu filho vive em um mundo próprio, mostrando certa insatisfação e discordância com as escolhas feitas por ele.
Em determinado momento, recebe a tumbal ligação de um determinado sujeito na França, dizendo que seu filho havia morrido em um trágico acidente no primeiro dia de viagem do Caminho de Santiago de Compostela.
O pai, que nem sabia onde ficava o tal caminho, parte ao encontro do filho, com a determinada mórbida tarefa de trazer seu corpo de volta para casa. Entretanto, o pai se perde em sua dor, perde seu chão, perde o caminho.
Crema o corpo e parte em busca de finalizar a tarefa interrompida ao primeiro dia. Junta as cinzas e coloca-as na mochila de seu antigo dono, decidido a percorrer o caminho, para poder realizar a tarefa que seu filho, seu acompanhante, dono da mochila e causa única das cinzas, havia começado.
Assim, o exato pai, certo de que haveria de cumprir a tarefa em memória de seu único filho, mergulha em uma jornada própria e segue até Compostela e mais além, deixando em cada paragem, em cada fotografia, em cada lembrança, punhados das cinzas de causa única.
Encontra pessoas, tão ou mais perdidas que ele; tão ou mais sofridas que ele. Mesmo assim, partem juntas para o mesmo propósito: terminar o caminho, chegar ao final dele.
Durante toda a trajetória, todos que passam lhes desejamBom caminho, e eles desejam de volta.
O falastrão barrigudo, a fumante inveterada e o travado escritor, formam junto do pai de um só filho, em luto e sem caminho, o quarteto improvável que nos narra a história do encotrar-se a si mesmo, percorrendo o longo caminho que os pés reclamam.
Depois de curvas, de estalagens estrambólicas, de camas gostosas, de camas péssimas, de peripécias, de dores, de sorrisos, de choro, de brigas, de socos... É quase palpável o desvelamento que cada um a sua maneira vai vivendo, vai se permitindo viver.
O pai, de cara fechada quase todo o trajeto, vai começando a sorrir e a entender que o caminho do filho não era assim tão ruim, tão estranho... A cada carimbo do passaporte, o iminente fim da jornada mostrava-se certo. Pelo menos os aproximados 800 quilômetros, distância metrada do caminho.
Porém, como em muitas vezes, como em muitos casos, diferente do mundo externo, o mundo de dentro não apresenta contas, distâncias, metragens, quilômetros certos. Então o pai, junto do filho e dos viajantes, metaforicamente, começa a entrar em contato com o que de mais especial possui sua profissão: Ele começa a enxergar a alma.
Caído em seu próprio fojo, o exato perde-se na inexatidão; vislumbra a si próprio e parece não gostar do que vê... Mas como vocês sabem, dizem que o caminho opera milagres, só não sei dizer até agora qual deles: O caminho de Santiago de Compostela ou o caminho dos viajantes, que entendi ser o caminho dos seres, o caminho de si; apesar de, também ter podido entender, que o primeiro é o instrumento para o segundo acontecer, e o segundo o meio que conhecemos para o primeiro haver.
Afinal não há um caminho, somos o caminho. E enquanto sendo, somos constituintes de nosso caminho, tal qual um cartógrafo que desenha as peculiaridades dos terrenos pelos quais passa.
Ele os sente, fecha os olhos, respira fundo e desenha não só o terreno, os acidentes do terreno - pois este não existe apriori, fora da gente, fora da sensação da alma - mas, sim, o que sentiu ao passar pelos caminhos que percorreu, pelos seus próprios caminhos... ninguém faz o caminho senão por si mesmo!
O caminho foi o meio existente para o processo de elaboração da dor de nossos companheiros de viagem, foi constituído e constituinte. A dor foi – e é -a companheira inseparável de todos os momentos, é aquilo, afinal, que temos de mais próprio. A crise, tal qual no ideograma japonês, foi oportunidade, e eles foram protagonistas dessa estória.
Entendi junto deles, do caminho e dos peregrinos do caminho, que se não pudermos pensar nesse processo, que são eles e deles próprios, a viagem pouco importará, pois pouco importarão os viajantes, pouco importará o caminho, ele não será deles, ele não será o nosso, ele não será de ninguém... E o ninguém é o esquecido, o ex-que-cente, que não pode mais sentir por não mais existir; constituir.
O caminho impróprio não permitiu nossos aventureiros de chegarem às encruzilhadas que desalojam e que não são senão, as oportunidades de escolha, de projeto, de destino. Oportunidade de seguir por si e pelo caminho deles próprios – pelo nosso caminho, por nós - após terem podido deliberar com seus próprios demônios, com seus próprios anjos, consigo-mesmos; conosco.
O pai chega ao fim dizendo que veio para uma tarefa, aquela de levar de volta o corpo, entretanto, olha para a lembrança vívida de seu filho e diz que voltará com nada. Seu filho lhe olha de volta e enxerga, mais uma vez, o que o pai não ainda podia, e diz que ele voltara, sim, com alguma coisa.
A estrada chega ao fim, mais o pai não chega ao fim da estrada, e continua, assim como eu tentei fazer junto dele e de vocês, caros leitores... Sinto agora que já pude compreender qual dos caminhos percorrer para operar os milagres que procuro.
Sinto, também, que a dúvida que lhes apresentei ao começo de meu relato, em como fazer o que aqui fiz, está sendo o próprio caminho que escolhi para estar nesse momento co-migo, pois, comecei a entender que buscamos de maneira geral, as verdades para nos assegurarmos do caminho a percorrer; eu busco a verdade para o asseguramento, tal qual o pai, tal qual o barrigudo, tal qual a inveterada, tal qual o travado, tal qual o filho, todos nós, geralmente, as buscamos fora... Ou mesmo dentro.
Mas elas, as verdades, são afirmações limitadas, ignorantes, pois ao afirmarmos, desafirmamos algo, assim, não há possibilidade de elaborarmos uma afirmação que contemple todas as verdades.
São ignorantes, porque, ao não abarcar todas as possibilidades, as afirmações ignoram; nós ignoramos, somos ignorados.O caminho continua, desta maneira, cartografado, vivido, hsitoricizado, herdado, caminhado...
Lá?
Não, lá não! Aqui!
Poderíamos tentar co-viver com nossas compreensões, lembrando que geraremos afirmações através delas; poderíamos tentar co-viver com as compreensões, dúvidas e reflexões do caminho que já percorremos, que estamos percorrendo, que aspiramos percorrer.Deixemosas afirmações, necessárias e inexoráveis ao ser, para os momentos de pouca inspiração. Pelo menos assim tentemos, assim eu tento, assim tentei.
Por fim, a dúvida, da qual já me alonguei em dizer, seja do lugar geográfico do Caminho; seja a dúvida da morte; do por que o filho ser do jeito que era; do que fazer agora; de qual caminho percorrer. Seja por duvidar de si ao achar ter visto o amado filho, mesmo após sua morte; seja sobre continuar ou não continuar o percurso, seja sobre chegar e não saber para onde ir depois; seja ao começar a compreender que só terminamos um caminho quando retornamos a nós-mesmos.
Essa dúvida – essas dúvidas - foi corporificada e materializada pela pergunta que o dono do último carimbo fez: Qual o motivo de terem feito a peregrinação, a viagem, o caminho?
Não ter uma resposta imediata, compreendi, tratou-se do singular momento de re-encontro entre o pai e ele mesmo, que pôde, então, aceitar o filho. Restava nesse momento da narrativa, continuar o caminho com suas escolhas.
A dúvida, àquela velha senhora que tanto bem-tratei nesse relato, moveu os peregrinos. A pergunta os trouxe de volta. Uma era interna, a outra de fora, mas as duas falavam sobre a mesma coisa.
O pai, que já podia responder às suas próprias perguntas, parou de duvidar de si ao fim do trajeto... Não pela certeza, mas, também, por abraçar as dúvidas. Afinal, ‘foi caminhando que se fez o caminho’[2].
A pergunta e a dúvida nos alucinam; a certeza e a afirmação nos ancoram. Ambas representam as tonalidades afetivas de nosso cuidar de nós mesmos, de nosso cuidado com a vida, de nosso seguir em frente com ela.
Assim cartografemos, sintamos, continuemos,afirmemos; existiremos... Se não no dia a dia, pelo menos no dia a dia de nosso trabalho, da profissão de psicólogos, momento em que podemos nos dar o privilegiado beneficio da dúvida, o momento da incerteza, a nova compreensão e a bem vinda companheira surpresa, principalmente para o outro, que sabe de si e talvez só precise de um guia para aventurar os caminhos de sua própria estrada.
Aos pais e aos filhos. Aos filhos dos filhos, aos filhos do pai, aos pais dos pais... Àqueles pais que possuem um relacionamento com seus filhos, similar ao descrito e narrado pelo filme, e, também, aos filhos que possuem parecido relacionamento com seus pais.
Assim como eu...
Talvez assim como você...

Àqueles que tão pouco são psicólogos, mas são – estão sendo – o que podem ser, o que escolhem ser. Profissionais da Saúde ou não.
A nós, a vocês, a eles... A qualquer um que já se defrontou consigo mesmo em uma encruzilhada; e, também, com uma encruzilhada em sua estrada:

Bom caminho!

Texto escrito por Ararê Dias Calia;
Terapeuta Reikiano, tel: (11) 98183-0139;   
E-mail: arare.d.calia@gmail.com
Formando em psicologia na turma de 2013.



[1] As palavras em itálico estão assim dispostas por representarem falas diretas do filme.
[2] Referência à música dos Titãs: Enquanto Houver Sol.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Filme: Na Natureza Selvagem: Uma reflexão existencial

         
 Podemos viver uma vida sem as amarras das contradições e ambivalências do cotidiano pós-moderno? É com essa questão que escolho o filme Into the Wild (Na Natureza Selvagem, EUA, 2007) como pano de fundo para essa reflexão. Essa obra cinematográfica retrata a história verídica de Christopher McCandless, 22 anos, recém-formado que ao terminar a faculdade, doa todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, muda de identidade e parte em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Abandona, assim, a próspera casa paterna sem que ninguém saiba e se lança à estrada. Perambula por uma boa parte da América (chegando mesmo ao México) à boleia, a pé, ou até de canoa, arranjando empregos temporários sempre que o dinheiro faltasse pois, Chris em determinado momento acaba por abandonar o seu carro e queimar todo o dinheiro que levava consigo para se sentir mais livre, mas nunca se fixando muito tempo no mesmo local. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau, ansiava por chegar ao Alasca, onde poderia estar longe do homem e em comunhão com a natureza selvagem e pura. Chris nos fala do homem inserido no mundo, mas não se aproxima do homem comum que vive por viver sem se questionar sobre o seu lugar, seus sentimentos e valores e tão pouco aceita como verdade as estruturas de vida a que foi submetido até então. Seu olhar é crítico e triste quando voltado para as instâncias de sua vida, amigos, faculdade e, principalmente, família, mas se enche de esperança quando se abre a possibilidade de uma vida mais autêntica e ao projeto que dá ânimo ao seu existir. E assim Chris dá adeus a um ter que ser a que todos somos impostos de alguma maneira ao longo da vida dando amplitude a voz que ecoa dentro de seu ser. No reconhecimento de um sentimento de não pertencimento se lança em sua jornada. Sem planos e estratégias sai em busca do conhecimento do mundo e das facticidades que lhes são pertinentes e irrecorríveis. Ao longo do caminho descobre novas relações com pessoas talvez nunca dante imaginadas, suscitando sentimentos ímpares e profundos, mas tão efêmeros quanto às lembranças de sua vida pregressa. Embora tenha demonstrado certo receio aos contatos sociais cada um de seus encontros se mostraram momentos extraordinários de como a existência não existe somente em si, mas com o outro que nos ajuda a dar sentido às escolhas que fazemos, refutando o significado aos sentimentos anteriormente atribuídos em relações medíocres e/ou reforçando a crença de contextos em que crescemos e nos desenvolvemos. Mas após cada contato, cada emoção o ermitão a caverna volta para alimentar o dragão personificado em sua voz interior, seu projeto tomado de sentido, seus sonhos mais verdadeiros. Ao longo de seu trajeto se ocupa das coisas, objetos da esfera mundana, mas apropriado, dotado do significado e importância daquilo para seu projeto. Seu desejo. Isso se mostra quando precisa arrumar alguns empregos como meio de subsistência, mas principalmente com o intuito de se preparar para chegar ao seu destino final. Sua obra. À sua medida. Sua trajetória remete a vida tal como ela é, com todas as nuances de crescimento e desenvolvimento pelo qual o protagonista passou, mas sobretudo reflete a maturidade com que encarou sua vida e suas escolhas, principalmente a coragem de assumir a sua verdade e a renúncia a segurança da impropriedade do mundo. Seu comprometimento é a certeza da coragem, visto que pouquíssimas certezas tinha pela frente, mas precisava fazê-las, concretizá-las e só então saber o peso do que assumiu. E com esse sentimento, frente as adversidades que encontrou, se deparou com o imprevisível, com a facticidade de que nossas escolhas não garantem certezas. No íntimo do estado pleno que almejou se viu diante da morte, do fim e certa nostalgia se mostrou em seus instantes finais, diante das lembranças de uma família idealizada, mas já era tarde suas escolhas o levaram a um estado e condição do qual não poderia mais voltar. Fez-se a morte do corpo, aquela prometida e fatídica, mas tão verdadeira, a morte que vale a pena, não apenas a morte que o tempo todo sempre se mostrou a partir do momento em que veio ao mundo, mas uma morte cuidada através da existência vivenciada pelo viés da autenticidade e da responsabilidade com que foi acalentada. A história de Chris parece utópica, distante, recheada de clichês que o mundo dos rebanhos poderia adjetivar, mas sobretudo é uma história do existir, do estar com e do estar consigo, muitos são os temais existenciais que permeiam esse Dasein e nos leva o tempo todo a refletir sobre o sentido da vida. Sobre a questão inicial, sim é possível viver sem as amarras do mundo e suas intercorrelações, mas sem a pressão do laço vem a liberdade que cobra o preço do comprometimento com o cuidado da existência e a coragem de atravessar a fronteira onde poucos habitam.
Análise realizada pelo aluno Jefferson de Melo no "curso de feno". 

sexta-feira, 29 de junho de 2012


CURSO FENO ( turmas de agosto )
"A prática clínica sob o enfoque fenomenológico-existencial"

OBJETIVO DO CURSO:
Oferecer subsídios teóricos e filosóficos a partir dos pressupostos daseinsanalíticos para a compreensão dos temas existenciais na prática clínica.

OBJETIVO ESPECÍFICO:
Primeira parte da aula: explanação teórica sobre os temas existenciais e a compreensão da prática clínica.
Segunda parte da aula: reflexão, por parte dos alunos, a respeito dos temas existenciais abordados. Essa reflexão tem como objetivo propiciar um espaço para que o aluno compreenda de forma mais própria os temas existenciais vivenciados em suas vidas.

TEMÁTICAS:
- ser-no-mundo e ser-para-morte - angústia e cuidado
- autenticidade / inautenticidade - espacialidade e temporalidade
- compreensão e disposição - preocupação e decadência
- linguagem e discurso - cotidianidade e liberdade


PÚBLICO-ALVO:
Graduandos, graduados em psicologia e estudantes/profissionais de áreas afins.

CERTIFICADOS:
Os certificados de conclusão serão entregues aos alunos que freqüentarem, no mínimo,
75% das aulas dadas.

DATA e HORÁRIO: 
1º opção: segunda-feira das 19h30 às 21h30 (a cada quinze dias)
Início em agosto e término em dezembro de 2014
2º opção: sábado das 10h00 às 12h00
Início em agosto e término em dezembro de 2014 (a cada quinze dias)       

INVESTIMENTO:
6 parcelas de R$ 190,00 ( 6 cheques pré-datados)

LOCAL:
Rua Comendador Paulo Brancato, 141 - Vila Mariana (Próximo ao metrô Vila Mariana)
INFORMAÇÕES:
(011) 32073694 ou pelo e-mail: vanessamaichin@gmail.com

terça-feira, 10 de abril de 2012

Grupo Terapêutico: "Seja autor de sua própria vida"



Fico impressionada com o número de pessoas que dizem: “Ah, se eu pudesse fazer isso....”. “Se eu pudesse escolher eu faria tal coisa...”. “Ah, se eu pudesse... ah, se eu pudesse...”.

Quantas pessoas passam por essa existência sem perceberem que são autoras de suas próprias vidas. E, por não perceberem isso vivem uma vida sem sentido, fazendo apenas aquilo que os outros querem que elas façam. Ou ainda, sendo de um jeito que os outros querem que elas sejam.
Será que isso é viver de verdade?

Viver de verdade é viver autenticamente. É sentir que vale a pena trilhar essa existência. É acreditar em seus mais íntimos sonhos e se engajar com vontade para realizá-los.

O grupo terapêutico “seja autor de sua própria vida” tem o objetivo de ampliar a reflexão de como você está vivendo sua própria vida. Você é autor de sua vida, mas para que isso aconteça de forma autêntica é necessário se conscientizar do rumo que anda dando para a mesma.

Com essas reflexões teremos mais condições de responder a grande questão: “Será que estou vivendo de verdade?”. E ainda, de ampliar as possibilidades para viver de forma libertadora, sem tantas amarras impostas ao longo de sua existência.

Psicoterapeuta responsável pelo grupo: Vanessa Maichin.
Quantidade de pessoas no grupo: de três a seis pessoas.
DATA A DEFINIR
Valor: 200,00 (mensal)
Maiores informações: vanessamaichin@gmail.com
Telefone: 011/995685158

quarta-feira, 21 de março de 2012

Filme: O Caminho de Santiago de Compostela



Sinopse: Tom é um médico americano que viaja para a França para recuperar o corpo de seu filho, Daniel, morto numa tempestade enquanto fazia o trajeto “El Camino de Santiago”, também conhecido como ” The Way of Saint James”, ou “O Caminho de Santiago”.Levado por sua profunda tristeza e pelo desejo de compreender melhor seu filho, Tom decide deixar sua vida californiana vazia para trás, e embarca em uma peregrinação histórica, numa combinação de luto e homenagem a Daniel, refazendo a trajetória de seu filho no “Caminho de Santiago”.Durante a peregrinação, Tom encontra pessoas ao redor do mundo (e três em particular), todas sofrendo e à procura de um significado maior em suas vidas.Durante “O Caminho”, Tom descobre o significado de uma das últimas coisas que seu filho lhe disse. Há diferença entre a vida que vivemos e a vida que escolhemos. 


Um olhar existencialista:
Quando assisti esse filme fiquei impressionada com tanto conteúdo existencialista que continha em cada cena. Primeiramente, Daniel sai em rumo a mais uma viagem de sua vida, mas não volta pra casa e nem chega a trilhar metade de seu projeto, uma tempestade interrompe a sua existência, confirmando o que Heidegger nos ensina: "somos um ser-para-morte". Desde que nascemos, somo finitos. E quanto a isso nada podemos fazer, a não ser "cuidar" da nossa vida e trilhar nosso próprio caminho. Era isso que Daniel fazia, trilhava seu próprio caminho. As poucas cenas desse rapaz no filme revelava um homem autêntico, que parecia caminhar em direção aos seus sonhos. Diferentemente de Tom, pai de Daniel, que levava uma vida vazia, preocupando-se apenas com seu próprio negócio. Antes de partir para sua viagem, Daniel propôs ao pai que fizessem esse caminho de Santiago juntos, porém Tom se recusou justificando que precisava cuidar da empresa. Heidegger, filósofo existencialista reflete em suas obras o quanto os homens são absorvidos por suas tarefas diárias, vivendo um cotidiano inautêntico e impróprio. Muitas vezes, o ser humano só começa a refletir sobre sua existência diante de um acontecimento muito drástico, como por exemplo a morte de um filho. Foi o que aconteceu com Tom, surpreendido com a morte de Daniel, ele resolve fazer o caminho de Santiago, só que sem a companhia do filho. E assim fez, seu objetivo era resgatar as cinzas do filho e, principalmente, resgatar e se apropriar de sua própria existência. Pena que isso só aconteceu diante de uma perda. Esse filme realmente mostra a grande diferença entre viver a vida que vivemos e viver a vida que escolhemos. (Vanessa Maichin - 2012)



terça-feira, 20 de março de 2012

Supervisão Clínica

 


Quando lhe peço que me ouça
E você sente que deve fazer alguma coisa
Para resolver os meus problemas
Você está falhando comigo.

Talvez seja por isso que a prece

Funciona para algumas pessoas.
Quando rezamos, não obtemos conselhos
Somos escutados.

Então, por favor, me ouça!
E se você quiser falar, espere alguns minutos até a sua vez
Que eu prometo escutá-lo.

Saber ouvir é um grande desafio. Maior ainda é conter a ansiedade quando queremos falar e não ouvir. Quantas vezes não esperamos nosso parceiro (a) terminar de falar e atropelamos, tentando colocar o nosso ponto de vista. Quantas vezes não cortamos a fala de um amigo querido, colocando um comentário a respeito de nós mesmos?

Saber ouvir é buscar compreender o que se passa com o outro, é muito mais do que escutar e darmos a nossa interpretação. Saber ouvir é cultivar a difícil arte da empatia, que é a habilidade de se colocar no lugar do outro e prestar muita atenção no significado de suas palavras, na maneira como ele transmite, em seu estado emocional, seus limites e conhecimentos; é olhar para os seus olhos, é perguntar se houve dúvida, é evitar interpretar, é buscar não atropelar.

Temos sido deficientes auditivos quando se trata em escutar verdadeiramente aquilo que precisamos ouvir. Trata-se de uma tarefa realmente difícil, pois envolve humildade em reconhecer nossas próprias falhas, em estar aberto para aprender quando no fundo queremos ensinar. Exercitando o ouvir e o falar aprendemos a compreender o outro e assim sermos mais bem compreendidos.
________________________________________________________________________
Este texto foi retirado do site www.noivasecia.com.br, escrito pela psicóloga Karen Camargo, citando um sábio poema de um autor desconhecido, que foi retirado do livro “Falo ou não falo – expressando sentimentos e comunicando idéia” (Conte, F. C. S e Brandão, M. Z. S. 2007. Falo ou não Falo? Expressando sentimentos e comunicando idéias. Londrina: Mecenas)

A tarefa do supervisor clínico é possibilitar ao supervisionando uma reflexão profunda a respeito de sua escuta clínica. Como diz o poeta “saber ouvir é um grande desafio”, sendo assim, a partir de uma visão ampliada, supervisor e supervisionando compreenderão juntos as dificuldades desta arte e os caminhos possíveis para uma boa escuta.

Ainda citando o poeta “saber ouvir é prestar atenção no significado das palavras”. Esses significados que recheiam uma sessão terapêutica serão compartilhados dentro da supervisão clínica com o propósito de ampliar a compreensão do supervisionando a respeito da história de vida de seu cliente, evitando interpretações deterministas.

Juntos, supervisor e supervisionando caminharão em direção ao fenômeno, tão importante em um atendimento de base fenomenológico-existencial.
Mergulhe neste encontro.

Supervisão individual
Supervisão em dupla

Maiores informações: vanessamaichin@gmail.com
Tel. (11) 99568-5158





sábado, 10 de março de 2012

Filme: Frida

Toda vez que me sinto sem energia, meio deprimida, chateada ou questionando o sentido da vida eu digo: “Está na hora de assistir Frida novamente....”.
Explico-me: Assistir esse filme é mergulhar na perspectiva de viver uma vida de verdade, de ir atrás de seu projeto mesmo diante de inúmeros obstáculos. Assistir Frida é compreender que a vida é engajamento, luta, esperança, alegria, prazer e muita arte.

Sinopse: O filme retrata a vida da artista mexicana Frida Kahlo (Salma Hayek) nascida em 1907 que lutou contra a dor como poucas e que, com uma natureza transgressora, se transformou em um mito da América Latina. A história também aborda os vários relacionamentos amorosos que teve durante sua vida - com seu marido, com o pintor Diego Rivera (Alfred Molina), 20 anos mais velho que ela e com quem se casou duas vezes, com Leon Trotsky e também com várias mulheres - traços da sua rápida ascensão no mundo da arte e sua trágica vida pessoal.

A paixão sem limites, as sobrancelhas grossas, o buço forte e as roupas mexicanas tradicionais fazem parte de sua imagem, marcada por uma poliomielite adquirida ainda criança e pelas conseqüências de um grave acidente de ônibus aos 20 anos que atingiu sua coluna vertebral. Obrigada a passar vários anos em uma cama, entre aparelhos ortopédicos, agulhas e bisturis, a Frida de Salma Hayek parece encantadora, elegante e original, descreveram críticos de agências internacionais.

Apesar de todas as tragédias, Frida era uma mulher com personalidade forte e uma pessoa à frente de seu tempo. No filme, são mostradas cenas em que fica claro que a artista era uma pessoa sem medo de expressar suas preferências, seja no âmbito político ou sexual.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Entrevista: "Seja autor de sua própria vida"

O programa de rádio chamado "projeto conviver", é um espaço conduzido pelo locutor Paulo Sérgio epaulo Jofre na rádio boa nova. Tratando de temas diversificados como família, animal, livre-arbítrio e também temas específicos da psicologia. No dia 03/03 dei uma entrevista neste programa falando sobre a importância de sermos autores de nossa própria vida, refletindo sobre nossa existência, nossas escolhas, nossas angústias existenciais e de que como nos tornarmos pessoas autênticas. Caso você tenha interesse em ouvir essa palestra entre no site:
http://www.radioboanova.com.br/novo/programacao.php?PROCODIGO=181
 (clicando na data: 03/03 /2012 A psicologia)


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